O Alqueva não é um sítio, é uma região. São 250 km² de água com mais de mil quilómetros de margem, espalhados por dez concelhos entre Évora e o Guadiana. Dizer "vou ficar no Alqueva" é como dizer "vou ficar no Algarve": a pergunta a seguir é sempre onde.
E essa pergunta importa mais aqui do que noutros sítios, por uma razão prática: as distâncias enganam. Dois pontos que no mapa parecem próximos podem estar a quarenta minutos um do outro, porque entre eles está o lago e é preciso contorná-lo. Escolher mal a zona custa uma hora de carro por dia, todos os dias.
Este guia é escrito de Mourão, na margem oriental. Somos parte interessada — temos aqui uma casa — mas o que se segue é o que diríamos a um amigo que perguntasse.
As zonas, e o que muda entre elas
Mourão e a margem oriental
É o lado menos percorrido do lago. Mourão é uma vila de pouco mais de dois mil habitantes, com castelo, mercearia, talho e cafés com pessoas lá dentro a meio da manhã.
O que ganha: a segunda maior praia fluvial do Alqueva fica a cinco minutos de carro, e é uma das poucas com Bandeira Azul e vigilância. Os preços de restaurante são os mais baixos da região. E há silêncio a sério à noite — o que conta, quando se vem cá para ver estrelas.
O que perde: menos oferta de alojamento e menos escolha de restaurantes. Monsaraz fica a vinte minutos, do outro lado da ponte.
Monsaraz e Reguengos
Monsaraz é a vila medieval murada, no alto da colina. Ficar lá dentro tem um encanto óbvio: acorda-se dentro das muralhas e vê-se o lago da janela.
O que perde: é caro, é o ponto mais visitado da região, e no verão enche-se de excursões entre as onze e as cinco. Reguengos, a dez minutos, é a alternativa prática — é onde estão as adegas e o supermercado grande.
Amieira, Alqueva e a margem sul
A Marina da Amieira é o centro náutico da região e o ponto de partida da maior parte dos barcos-casa. Faz sentido para quem vem sobretudo pela água. Fica longe de Monsaraz — conte com quarenta a cinquenta minutos.

Que tipo de alojamento escolher
Casa de férias com piscina. A escolha mais comum, e por boa razão: em julho e agosto o Alentejo passa dos 35°C e uma piscina privada deixa de ser luxo para ser infraestrutura. Ter cozinha também conta, porque muitos restaurantes fecham um dia por semana e alguns não abrem à noite fora de época.
Montes alentejanos e turismo rural. Propriedades agrícolas recuperadas, geralmente isoladas no meio do campo. São bonitos e sossegados. Verifique a distância à povoação mais próxima antes de reservar: alguns ficam a quinze minutos de terra batida do primeiro café.
Hotéis e pousadas. Existem sobretudo em Monsaraz e Reguengos. Fazem sentido para estadias curtas de duas noites, em que não compensa montar casa.
Barcos-casa. Dormir sobre o lago, sem carta de navegação. É uma experiência a sério, mas é alojamento e transporte ao mesmo tempo: não serve como base para explorar a região por terra.
Para famílias, para casais
Com crianças, o que decide é a distância à água vigiada. A Praia Fluvial de Mourão tem 100 metros de areal vigiado, piscina flutuante fechada para os mais pequenos, sombra em relvado e balneários — é a opção mais fácil do lago. Ficar a cinco minutos dela muda os dias.
Em casal, ganha quem escolhe silêncio. As vilas pequenas da margem oriental são mais sossegadas do que Monsaraz em época alta, e o céu à noite é o mesmo.
Quando reservar
Julho e agosto esgotam cedo — a oferta de alojamento na região é pequena e não cresce. Setembro é provavelmente o melhor mês: a água ainda está quente, a praia continua aberta até meados do mês e já não há filas em Monsaraz. Em maio e junho está tudo verde, o que no Alentejo dura pouco.
Uma nota sobre a nossa casa
A Casa de Santa Margarida é uma casa de férias em Mourão, com piscina privada no pátio, dois quartos e capacidade para quatro pessoas. Fica a cinco minutos de carro da praia fluvial e a vinte de Monsaraz.
É uma casa para quatro, e foi pensada assim: dois casais, ou uma família pequena. Está dentro da vila, o que significa que se sai a pé para jantar e se volta a pé — sem estradas de terra ao escuro, sem depender do carro para tudo. O pátio é fechado por paredes caiadas, por isso a privacidade vem do desenho da casa e não do isolamento.
Perguntas frequentes
Que zona do Alqueva devo escolher?
Depende do que procura. Mourão e a margem oriental dão a segunda maior praia fluvial do lago a cinco minutos, preços de restaurante mais baixos e silêncio a sério à noite, com menos oferta de alojamento. Monsaraz tem o encanto da vila murada, mas é caro e enche-se de excursões entre as onze e as cinco no verão. Reguengos é a alternativa prática, com as adegas e o supermercado grande.
Porque é que a zona importa tanto no Alqueva?
Porque as distâncias enganam. São 250 km² de água com mais de mil quilómetros de margem: dois pontos que no mapa parecem próximos podem estar a quarenta minutos, porque é preciso contornar o lago. Escolher mal a zona custa uma hora de carro por dia.
O Alqueva é um sítio ou uma região?
Uma região — 250 km² de água espalhados por dez concelhos entre Évora e o Guadiana. Dizer «vou ficar no Alqueva» é como dizer «vou ficar no Algarve»: a pergunta a seguir é sempre onde.
Casa com piscina ou hotel?
Com crianças ou no pico do verão, a piscina no alojamento deixa de ser um extra: é o que salva as tardes entre as duas e as cinco, quando o calor não deixa fazer nada ao ar livre, e evita conduzir duas vezes por dia.



