O Castelo de Mourão está no ponto mais alto da vila, a poucos minutos a pé de qualquer rua do centro. É um castelo gótico do século XIV, com a igreja matriz encaixada na muralha e uma segunda cintura de muralhas em estrela, do século XVII. Entra-se sem bilhete e, ao fim da tarde, é o melhor miradouro sobre o Alqueva deste lado do lago.
Não espere uma vila dentro de muralhas como em Monsaraz: aqui as muralhas envolvem ruínas, a igreja e um recinto largo onde se anda com tempo. O que vale é a história à vista e a paisagem — planície de um lado, água do outro, com Monsaraz na colina em frente.
Quem mandou construir o Castelo de Mourão
A resposta está escrita na pedra. Segundo a ficha do Património Cultural, a inscrição junto à porta principal diz que D. Afonso IV mandou começar e fazer este castelo em 1343 e que o mestre da obra se chamava João Afonso.
Mourão já tinha história antes disso. No século XIII foi disputada entre Portugal e Leão; a Câmara Municipal de Mourão refere uma fortificação edificada ou reedificada em 1226, no reinado de D. Sancho II, o ano do primeiro foral, dado por D. Gonçalo Viegas, prior da Ordem do Hospital. O Tratado de Alcanices (1297) fixou a vila em Portugal. Em 1313, D. Dinis doou-a a D. Raimundo de Cardona com uma condição curiosa: não construir fortaleza nenhuma. O castelo que hoje se vê veio trinta anos depois, já com o rei a mandar.
Houve mais duas fases:
- Primeira metade do século XVI — os irmãos Francisco e Diogo de Arruda, arquitetos régios, acrescentaram a barbacã e o fosso e reforçaram o conjunto.
- Depois de 1640 — com a Restauração, Mourão voltou a ser fronteira a sério. Os engenheiros Nicolau de Langres e Pierre de Saint-Colombe deram ao castelo medieval uma dupla cintura de muralhas ao gosto de Vauban, com revelins pontiagudos e planta em estrela, feita para a artilharia.
O castelo está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1957.

O que há dentro das muralhas
O recinto medieval tem planta trapezoidal, com torres ligadas por adarve. A porta principal abre para poente e é protegida por duas torres quadrangulares, como era regra nos castelos góticos. Lá dentro:
- A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias. Não é uma capela de castelo: é a igreja da vila, construída de raiz dentro das muralhas. Começou em 1681, por ordem do príncipe regente D. Pedro, com projeto do engenheiro D. Diogo Pardo Osório, e foi consagrada em agosto de 1692. A fachada ficou entre duas torres góticas. A igreja anterior, medieval, tinha sido arrasada em 1664 pelas obras de fortificação. O terramoto de 1755 danificou a abóbada da capela-mor, depois reconstruída. Lá dentro, o altar-mor de talha policromada e a imagem da padroeira, em calcário, que sobreviveu a três reconstruções.
- As casas do antigo alcaide, encostadas à muralha do lado norte, hoje em ruína.
- A torre de menagem e as torres que restam. As muralhas são de xisto da região, mármore e granito, e nota-se a diferença de pedra de troço para troço.
- Canhões expostos no recinto, que as crianças encontram antes de qualquer adulto.
A muralha exterior, em estrela, envolve tudo isto e vê-se melhor de longe — da estrada da praia fluvial ou da ponte para Monsaraz.
O que se vê lá de cima
Três coisas, conforme o lado para que se olha:
| Direção | O que se vê |
|---|---|
| Para baixo | O casario branco de Mourão, as chaminés e os ninhos de cegonha |
| Para nascente | A planície alentejana a perder de vista, até Espanha |
| Para poente | O Grande Lago do Alqueva e, do outro lado da água, Monsaraz na colina |
É este último que traz as pessoas. Os dois castelos ficam frente a frente, separados pelo lago, e ao fim da tarde o sol desce exatamente sobre a água. Quem sobe ao Castelo de Monsaraz vê Mourão ao longe; quem sobe aqui vê Monsaraz. Vale a pena fazer os dois em dias diferentes.

Horário, preço e como chegar
O Turismo do Alentejo indica o castelo como sempre aberto, sem dia de encerramento; o Turismo de Portugal descreve-o como recinto aberto. A entrada é livre e não há bilhete.
Se precisar de certeza sobre uma hora concreta — ou quiser saber se a igreja está aberta — pergunte no posto de turismo de Mourão: Largo das Portas de São Bento, das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00, telefone 266 560 010. A morada do castelo é a Rua Frei António das Chagas.
A pé, do centro da vila, é uma subida curta. O percurso que o Turismo do Alentejo sugere começa no posto de turismo, sobe pela Estrada da Barca e vira para a Rua Frei António das Chagas até à porta do castelo. Da Casa de Santa Margarida são poucos minutos.
Quanto tempo demora e a melhor hora
Entre trinta minutos e uma hora chega para dar a volta ao adarve, entrar na igreja e parar nos miradouros.
A melhor luz é a última hora antes do pôr do sol: o lago fica prateado, depois laranja, e as muralhas ganham a cor do xisto. De manhã cedo também funciona, com o sol nas costas a iluminar Monsaraz. Ao meio-dia, no verão, é só pedra quente.
À noite o contorno da muralha está iluminado — a Câmara Municipal de Mourão concluiu a iluminação em LED em março de 2025, com exceção da torre junto à entrada, então em obras de restauro. Vê-se de qualquer rua da vila e da estrada que chega de Monsaraz.
A miniatura do castelo
Se pesquisou "miniatura do Castelo de Mourão", é isto: uma maqueta do castelo e da igreja matriz, numa das rotundas da vila. Vê-se de passagem, de carro. Não é uma atração com horário nem vale uma paragem própria — o original está a poucos minutos, no alto.
O que fazer a seguir
- Praia Fluvial de Mourão — 5 minutos de carro. No verão, o programa é este: castelo ao fim da tarde, banho antes ou depois.
- Monsaraz — 20 minutos, atravessando a ponte sobre o lago. O castelo do outro lado.
- O resto de Mourão — a Igreja da Misericórdia, os cafés da praça, o Museu Etnográfico.
- Céu escuro — se ficar até de noite, não precisa de sair da vila para ver estrelas; para mais, o observatório da Cumeada fica a 25 minutos.
- Festas de Mourão — em finais de janeiro e princípio de fevereiro, a igreja do castelo é o centro das festas da padroeira.
O que este castelo não é
Não é Monsaraz. Não há lojas nem restaurantes dentro das muralhas, não há bilheteira, não há visita guiada marcada. É um recinto aberto, com ruínas, uma igreja e uma vista. Para quem gosta de castelos limpos e arranjados pode saber a pouco; para quem gosta de ter o sítio só para si ao pôr do sol, é dos melhores do Alqueva.
A Casa de Santa Margarida fica no centro de Mourão, a poucos minutos a pé da subida ao castelo. Sobe-se antes do jantar, desce-se a tempo de o comer na vila.
Perguntas frequentes
Quem mandou construir o Castelo de Mourão?
D. Afonso IV. Segundo a ficha do Património Cultural, a inscrição junto à porta principal diz que o rei mandou começar o castelo em 1343 e que o mestre da obra se chamava João Afonso. A Câmara Municipal de Mourão refere uma fortificação anterior, de 1226, no reinado de D. Sancho II. As muralhas exteriores em estrela são do século XVII, já depois de 1640.
O Castelo de Mourão tem horário e bilhete?
O Turismo do Alentejo indica o castelo como sempre aberto e sem dia de encerramento, e o Turismo de Portugal descreve-o como recinto aberto. Não há bilhete. Se precisar de garantir uma hora concreta, confirme no posto de turismo de Mourão, no Largo das Portas de São Bento, aberto das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00 (266 560 010).
O que se vê do alto do castelo?
A vila em baixo, a planície alentejana até Espanha e, para o lado do poente, o Grande Lago do Alqueva. Do outro lado da água, na colina, fica Monsaraz — os dois castelos olham um para o outro.
Quanto tempo demora a visita?
Entre trinta minutos e uma hora. Do centro da vila são poucos minutos a pé, a subida é curta e a volta pelo adarve faz-se com calma. Ao fim da tarde fica-se sempre mais tempo do que se planeou.
Há uma igreja dentro do castelo?
Sim. A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias está encaixada na muralha, com a fachada entre duas torres góticas. Começou a ser construída em 1681, por ordem do príncipe regente D. Pedro, e foi consagrada em agosto de 1692, segundo a Câmara Municipal de Mourão.
O que é a miniatura do Castelo de Mourão?
Uma maqueta do castelo e da igreja, numa das rotundas da vila. Vê-se de passagem, de carro; não é um sítio com horário nem visita. O castelo verdadeiro fica a poucos minutos, no alto da vila.

