Isto não está nos guias de viagem da região, e devia estar: Mourão é um bom sítio para ver aves, e o inverno — a época em que ninguém cá vem — é a melhor.
A razão é o montado. Um sistema agrícola com árvores espaçadas, pasto e gado sustenta muito mais espécies do que campo aberto ou floresta fechada. O que é o montado →
Quando vir
Inverno e primavera são as melhores épocas.
No inverno chegam os bandos de grous que passam a estação na península. São aves grandes, ruidosas, que se ouvem antes de se verem, e alimentam-se em campos abertos perto da fronteira. É o espetáculo da estação.
Na primavera juntam-se as migradoras, os passeriformes e a atividade de nidificação. As cegonhas — que aliás nidificam nas chaminés da própria vila — estão nos ninhos.

O verão é a pior época: calor a mais, atividade a menos, e as horas boas são muito cedo ou muito tarde.
Três percursos a partir de Mourão
O portal Aves de Portugal descreve três acessos a partir da vila. São percursos de estrada, feitos de carro com paragens.
Para norte, pelas Ferrarias. Estrada municipal para uma zona conhecida pelo cortiçol-de-barriga-preta.
Para leste, por São Leonardo. A estrada regional 256-1 até ao antigo posto fronteiriço; daí segue um caminho de terra por campos cultivados em direção a uma pequena barragem, já do lado espanhol.
Para sudeste, pela Meada. A estrada regional 385 na direção da Granja. Cerca de nove quilómetros depois da ponte sobre a ribeira de Alcarrache, uma estrada alcatroada dá acesso à zona onde os bandos de grous se alimentam no inverno.
O que esperar ver
Aves aquáticas — garça-real, perdiz-do-mar, e nas margens da albufeira patos e colhereiros.

Grandes aves terrestres — grou, abetarda, cegonha-branca, alcaravão, abibe, codorniz, garça-boieira. É este grupo que faz da planície alentejana um destino a sério.
Rapinas — milhafre-real, milhafre-preto, águia-calçada, peneireiro-cinzento.
Passeriformes — cotovias, andorinhas, picanços, gaios, estorninhos, pardais, escrevedeiras.
Como se faz
Sai-se cedo, vai-se de carro, para-se muito. Não há percursos pedestres balizados: o que há são estradas secundárias com bermas onde se encosta e se espera.
Duas coisas ajudam mais do que qualquer equipamento: ir de manhã cedo, e ficar quieto. O carro funciona como esconderijo — as aves habituaram-se a carros, não a pessoas a caminhar em campo aberto.
Porque isto interessa a quem aluga casa
Porque resolve o inverno. De novembro a março o Alqueva está vazio, a casa é barata e não há nada a competir pela atenção — e é exatamente quando os grous cá estão.
Quem vem por isto vem em época baixa, fica dias de semana e volta. Melhor altura para visitar →
Perguntas frequentes
Qual é a melhor altura para observar aves no Alqueva?
Inverno e primavera. No inverno chegam os bandos de grous, que são o grande atrativo, e a paisagem está verde. Na primavera juntam-se as migradoras e os passeriformes. O verão é a pior época.
Que espécies se veem?
Grou-comum, abetarda, cegonha-branca, garça-real, perdiz, alcaravão, abibe, codorniz, garça-boieira, abelharuco e poupa, além de milhafres, águias-calçadas e peneireiros. Nos passeriformes há cotovias, andorinhas, picanços, gaios e estorninhos.
É preciso guia?
Não, para os percursos de estrada. Há empresas que fazem saídas guiadas na albufeira e que valem a pena para quem quer identificação a sério. Para ver os grous no inverno basta ir ao sítio certo à hora certa.
Preciso de binóculos?
Sim. Sem binóculos vê-se que há aves; com binóculos vê-se que aves são. Os grous são grandes e ouvem-se antes de se verem, mas para o resto são indispensáveis.



