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Casa de Santa MargaridaMourão · Alqueva

.História

Aldeia da Luz: a aldeia que o Alqueva submergiu

A história da aldeia que ficou debaixo de água em 2002 e foi reconstruída dois quilómetros acima. O Museu da Luz e o que se vê hoje, a 20 minutos de Mourão.

Escrito por Francisco Campos2 min de leitura
A igreja da Aldeia da Luz, caiada, com alpendre de arcos e cunhais em pedra, na última luz do dia.

A 8 de fevereiro de 2002 fecharam-se as comportas da barragem do Alqueva. A água começou a subir e, com o tempo, cobriu a aldeia da Luz — casas, ruas, a igreja, o cemitério.

A aldeia ficava no concelho de Mourão. Tinha 423 habitantes.

A aldeia que foi construída de novo

O processo arrastou-se por duas décadas. A partir de 1981 discutiram-se três hipóteses: indemnizar as pessoas, transferi-las para uma aldeia vizinha, ou construir uma aldeia nova. Foi essa a escolhida, porque foi a que a população preferiu.

A construção começou em 1998 e terminou em 2002. Dois quilómetros acima da original, ergueu-se uma aldeia com 212 casas, ruas, praças, comércio, escola, centro de saúde, instalações desportivas, praça de touros, lavadouro, jardim público — e réplicas da Fonte Santa e da Igreja de Nossa Senhora da Luz.

O cemitério foi transferido, com os corpos.

Edifício baixo caiado, de portas vermelhas e barras azuis, sozinho na planície.
A arquitectura da aldeia nova: caiada, de barras azuis, construída de raiz nos anos 2000.

O Museu da Luz

O Museu da Luz foi inaugurado em 2003, como parte do processo de deslocação, e existe para guardar a memória da aldeia antiga e das pessoas que lá viveram.

Não é um museu de objetos bonitos. É um museu sobre o que significa uma comunidade inteira ser levantada e posta noutro sítio — com registos, fotografias, testemunhos e o arquivo daquilo que ficou debaixo de água.

É, provavelmente, a visita mais comovente da região.

O que se vê hoje

Vê-se uma aldeia alentejana nova, branca e ordenada, com a estranheza de ter sido toda construída ao mesmo tempo. E vê-se a água, ali ao lado, por cima do sítio onde estava a outra.

A margem é acessível e há passadiços. Ao fim da tarde, com o lago em frente e a réplica da igreja atrás, percebe-se melhor a escala da coisa.

Passadiço de madeira junto ao lago, ao pôr do sol, na Aldeia da Luz.
O passadiço de madeira até à água, ao pôr do sol, na Aldeia da Luz.

Como chegar

A Aldeia da Luz fica no concelho de Mourão, a cerca de 20 minutos de carro da vila de Mourão.

Combina bem com uma manhã na praia fluvial ou com uma tarde antes da sessão de estrelas na Cumeada.

Perguntas frequentes

Porque é que a Aldeia da Luz foi submersa?

A 8 de fevereiro de 2002 fecharam-se as comportas da barragem do Alqueva. A água subiu e cobriu a aldeia — casas, ruas, a igreja, o cemitério. A aldeia ficava no concelho de Mourão e tinha 423 habitantes.

A aldeia foi reconstruída?

Foi. A partir de 1981 discutiram-se três hipóteses — indemnizar, transferir para uma aldeia vizinha, ou construir de novo — e foi esta a escolhida, porque foi a que a população preferiu. A construção decorreu entre 1998 e 2002, dois quilómetros acima da original: 212 casas, ruas, praças, comércio, escola, centro de saúde, praça de touros, e réplicas da Fonte Santa e da Igreja de Nossa Senhora da Luz. O cemitério foi transferido, com os corpos.

O que é o Museu da Luz?

Um museu inaugurado em 2003, como parte do processo de deslocação, para guardar a memória da aldeia antiga e das pessoas que lá viveram. Não é um museu de objetos bonitos: é sobre o que significa uma comunidade inteira ser levantada e posta noutro sítio. Confirme os horários antes de ir — sendo um equipamento municipal numa aldeia pequena, variam com a época e há dias de encerramento.

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