Reguengos de Monsaraz é uma das sub-regiões vinícolas do Alentejo, e fica a 25 minutos de Mourão. Foi Cidade Europeia do Vinho em 2015 — uma distinção que diz alguma coisa sobre a densidade de produtores numa vila deste tamanho.
Há cerca de onze produtores na sub-região e a maioria recebe visitas. Aqui ficam os que fazem sentido a partir do Alqueva.
Herdade do Esporão
A mais conhecida e a mais preparada para receber. Tem visitas guiadas às adegas com prova, loja, e um restaurante aberto desde 1997, com cozinha de território e produtos alentejanos.
É a escolha óbvia para quem quer uma visita completa e almoço no mesmo sítio. É também a mais procurada, por isso marcar é essencial no verão e aos fins de semana.

Ervideira
Está aberta todos os dias do ano e faz visitas e provas por marcação. Tem também programas mais fora do comum, como provas às cegas.
Mas o que a torna interessante para quem está no Alqueva é outra coisa.
CARMIM
A adega cooperativa de Reguengos de Monsaraz, e a maior cooperativa vinícola do país, com centenas de associados. É o oposto das quintas boutique: escala industrial, preços baixos e vinhos que se bebem todos os dias no Alentejo.
Vale a visita por isso mesmo — percebe-se o peso do vinho na economia local de uma forma que uma herdade pequena não mostra.
Herdade da Mainova
Fica em Vimieiro, perto de Évora — não é uma visita de meia hora como as outras desta lista: são cerca de 100 km e uma hora e meia de carro desde Mourão. Vale a pena sobretudo para quem já vai a Évora e quer fazer uma paragem no caminho.
É um projeto da família Monteiro, com Bárbara Monteiro à frente desde 2019, numa herdade de 200 hectares em modo biológico, entre vinha, olival e sobreiro. A arquitectura contemporânea, em betão e cobre sobre a vinha, é já por si um motivo de visita.

Recebe visitas todos os dias, das 10h às 18h, com provas a partir de 40 € e uma experiência de piquenique na vinha por 75 €. O mote da casa é "a arte de misturar uvas" — lê-se logo nos vinhos, pensados como lotes e não como varietais isolados.

Sharish Gin
Em Reguengos de Monsaraz, no Caminho do Moureal, a Destilaria e Centro de Interpretação do Gin da Sharish é outra paragem possível — não é vinho, mas fica na mesma zona e no mesmo espírito de prova.
Fundada em 2014 por António Cuco, faz visitas às 11h e às 15h30, todos os dias, com marcação obrigatória. A prova comentada inclui quatro gins e um tónico, por 20 €.
Antes de ir
Marque sempre. Quase nenhuma adega recebe visitas sem marcação, e as que recebem podem estar em vindima ou com grupos. Um telefonema ou email na véspera resolve.
Fora do verão, confirme. Muitas reduzem horários entre outubro e março, e algumas fecham para trabalhos de adega.
Conte com uma manhã ou uma tarde. Uma visita com prova demora entre uma hora e hora e meia. Duas adegas no mesmo dia é possível, três é apressado.
Se prova, alguém conduz. As estradas entre Mourão, Reguengos e Monsaraz são rurais e a fiscalização existe. Muitas adegas fazem provas com cuspidoira, o que resolve o problema.
Vindimas: final de agosto e setembro. Alguns produtores fazem programas de vindima para visitantes nessa altura. É a época mais interessante para visitar, e a que esgota mais depressa.

O que provar
Os tintos da sub-região são tipicamente encorpados, de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, muitas vezes com Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.
Vale a pena procurar também vinho de talha — vinho fermentado em ânforas de barro, uma tradição romana que sobreviveu no Alentejo e em quase mais lado nenhum. Alguns restaurantes de Mourão e Monsaraz servem-no a copo.
Onde comprar sem visitar adega
Se não quer marcar nada, as mercearias e garrafeiras de Reguengos e Monsaraz têm boa escolha e preços melhores do que nas lojas das adegas. E os restaurantes locais servem vinhos da região a copo por muito pouco.
Perguntas frequentes
Onde ficam as adegas do Alqueva?
Em Reguengos de Monsaraz, uma das sub-regiões vinícolas do Alentejo, a 25 minutos de Mourão. Foi Cidade Europeia do Vinho em 2015 e tem cerca de onze produtores na sub-região, a maioria dos quais recebe visitas.
Qual é a adega mais preparada para receber visitas?
A Herdade do Esporão — visitas guiadas com prova, loja e um restaurante aberto desde 1997, com cozinha de território. É também a mais procurada, por isso marcar é essencial no verão e aos fins de semana.
O que é o Vinho da Água?
Um vinho da Ervideira que envelhece submerso no lago Alqueva. Desde 2015, garrafas do Conde d'Ervideira ficam oito meses a cerca de 30 metros de profundidade, depois de dez meses em barrica. Segundo o produtor, é a pressão da água que o altera: no nariz é quase igual ao original, na boca fica mais integrado. Ganhou ouro no Japan Wine Awards em 2017 e no China Wine Awards em 2016.
Vale a pena visitar a cooperativa?
Vale, e por uma razão diferente das quintas boutique. A CARMIM, de Reguengos, é a maior cooperativa vinícola do país, com centenas de associados — percebe-se ali o peso do vinho na economia local de uma forma que uma herdade pequena não mostra.



